Friday, May 25, 2012

Não pude contar com a neurologista

Tenho uma sobrinha de 12 anos que sofre de hiperatividade. Recentemente a levamos para uma consulta com uma neurologista em Araruama, a Dra. Ludmila Marins de Almeida Ferreira pois a escola precisava de um novo laudo médico. Ao saber que a menina ainda urinava na cama, a médica recomendou amitriptilina. Foi mencionado `a medica que a criança já havia tomado por varios anos a imipramina (mesma familia do amitriplina) e o tratamento havia sido interrompido por causa dos efeitos colaterais. A medica assim mesmo recomendou a amitriptilina dizendo que a dose era fraca. A minha sobrinha surtou com o remedio (falava sem parar, virava os olhos, etc). Ao mencionar para a medica esta mandou cortar o comprimido pela metade. A reação continuou sendo ruim e paramos com o tratamento.
Recentemente, numa nova visita, a medica recomendou o nortriplina (tambem da mesma familia do imipramina e amitriptilina) dizendo que a dose era fraca. A medica inclusive foi muito bacana e nos ofereceu o seu numero de celular para ser contatada em face de qualquer problema.
Pois bem, um só comprimido fez a minha sobrinha ter alucinações terriveis (vendo vampiros que a matariam, animais a mordendo, etc). Apavorados tentamos contatar a medica, como era noite o celular dela estava desligado. Achamos estranho que mesmo o celular estando desligado não tinha caixa postal, ou seja, um profissional que prescreve psicotrópicos com frequencia não pode ser acessado apos o horario comercial.
Conseguimos contatar uma outra medica (gastroenterologista) e ela conseguiu uma ambulancia para levar a menina para o hospital. O estado da minha sobrinha não permitia que ela entrasse em um carro pois ela gritava muito e não parava quieta.
No hospital público ela foi muito bem atendida e recebeu o tratamento necessario.
No dia seguinte ao ligar para a Dra. Ludmila e reclamar que não conseguimos falar com ela no celular e nem deixar mensagem, ela me disse que não tinha a obrigação de atender o telefone fora do horario de serviço. Eu a pedi para ligar para a minha mãe (minha sobrinha mora com a minha mãe) para saber do quadro da criança e ela me disse qua não podia pois não tinha a ficha da criança diante dela portanto sem saber do quadro da mesma não poderia tratá-la. Me disse para interrompermos o tratamento e para que levássemos a menina no consultorio dela (3 dias apos a nossa ligação). A medica não perguntou uma só vez se a criança estava passando bem, o que extamente havia se passado com ela, etc. A preocupação estava em me colocar no lugar certo.
Agora vem a comparação: em qualquer lugar nos EUA nenhum medico atente o telefone fora do horario de serviço mas se voce ligar para o consultorio dele voce é automaticamente conectado a um serviço de atendimento que passará a mensagem para o medico e se for uma situação séria voce terá um retorno do proprio. Mesmo sem ter estes serviços disponíveis no Brasil, me pergunto: por que é que um médico não pode deixar o telefone desligado com a caixa postal ligada e checar suas mensagens de vez em quando? Será que ao passar um remédio um medico não se torna responsável pelo que acontece com seu paciente? Por que deixar a responsabilidade de um efeito colateral de um remedio prescrito para um outro médico resolver num pronto-socorro? Errar é humano e não culpo a medica por ter errado na escolha do medicamento pois cada pessoa responde a medicamentos de formas diferentes, mas não ter responsablidade sob os efeitos de um medicamento prescrito não será uma atitute criminosa? Ou se trata apenas de falta de ética? Ou será que a médica esta certa?
Estou fazendo uma denúncia ao Conselho Regional de Medicina e depoimentos em blogs que aceitam comentarios sobre os serviços profissionais de medicos. Nossa familia pôde arcar com o apoio de outro medico. E outras familias sem poder economico? Como teriam conseguido uma ambulancia e atendimento rapido sem a ajuda de um medico presente?
Se todos nós fizessemos denuncias sem esperar por remuneração em troca, talvez conseguissemos mudar muitas coisas em nosso país. Não posso criticar a capacidade profissional desta médica mas sinto-me no total direito de criticá-la por sua conduta. Sinto-me tambem obrigação de dividir este incidente com outras pessoas para que  o mesmo não se repita com outras familias.